Bem distante do óbvio
ISTO É/1817 04/08/2004

Adriana Partimpim cria um novo conceito para as canções infantis


Partimpim é como o pai da cantora Adriana Calcanhotto a chama desde pequena. O apelido não foi invenção dele, mas da própria filha, sempre chegada nas artes.
A mais recente é o inspirado álbum “Adriana Partimpim”, no qual a gaúcha assume a alcunha da personagem para dar à luz um trabalho que, a princípio, se dirige ao público infantil. Na verdade, o CD está bem distante do que normalmente se produz no gênero. Em seu primeiro disco totalmente de intérprete, Adriana foi bastante criteriosa na seleção das faixas , reunindo verdadeiros achados.
“Lição de baião”, gravada por Baden Powell em 1961, ganha uma versão com toques de drum’n’bossa, enquanto a marchinha de Carnaval “Lig-lig-lig-lé”, dos bailes de 1937, mergulha numa atmosfera felliniana. Outra preciosidade é “Formiga bossa nova”, do repertório de Amália Rodrigues, que conta com a luxuosa guitarra portuguesa de António Chainho. Entre as composições mais recentes aparecem “Oito anos”, que Paula Toller fez para o filho Gabriel e gravou no seu disco solo de 1998, e “Saiba, de Arnaldo Antunes, segundo Adriana, uma canção para ninar adultos. Ponto alto do CD, “Ser de Sagitário”, presente de Péricles Cavalcannti para a filha Nina, resume a busca do disco por aquele raro momento em que artista e criança são um só ser.

Ivan Claudio